
O Porto de Trás é o bairro mais antigo de Itacaré (BA) e conserva uma população de descendentes dos primeiros escravos negros que desembarcaram na cidade.
Em 1995, Joeliton Rocha da Cruz (Jota), professor de capoeira, dava aula para alguns adultos num terreno de chão de barro no bairro Porto de Trás.
Ao mesmo tempo, Nerisvaldo Santos Costa (Nero Bóia) havia criado uma quadrilha de festa junina com as crianças do bairro e também dava aula de capoeira para elas, mesmo não sendo professor.
Então, em 1998, quando Jota foi embora para a Austrália com a família, Arionilton Soares de Sá (Comprido) e Magno Rocha da Cruz (Miquiba), que já eram instrutores da Tribo Unida, começaram a dar aula para todas as pessoas do bairro – crianças e adultos – em horários diferentes. Assim, foi aumentando o número de crianças e diminuindo o de adultos nas aulas.
Em 1999, com a inauguração da estrada BA 001 que liga Ilhéus a Itacaré, o turismo na cidade começou a crescer. Percebeu-se então que as crianças, em geral, recebiam dinheiro dos turistas nas ruas e que elas estavam gostando de ganhar esmola. Para impedir essa prática, manter as crianças ocupadas com as aulas de capoeira passou a ser um caminho eficaz.
Foi neste cenário que nasceu, em 2003, a Associação Cultural Tribo do Porto, com a finalidade de incentivar crianças e adolescentes do bairro do Porto de Trás a preservar a cultura de seu povo, além de ajudar a elevar sua auto-estima e fazer com que se sintam cidadãos conscientes, valorizados e integrados em seu meio.
O primeiro galpão da Associação foi construído por um mutirão, em 2000, por meio da ajuda financeira dos alunos adultos (donos de restaurantes e pousadas). Era apenas uma cobertura com bambus do lado.
Em 2005, uma organização não-governamental financiou a reforma do galpão, além de construir um anexo para as aulas de reforço escolar e de argila, concluído em novembro do mesmo ano.
À frente do projeto desde o início, os professores Miquiba e Comprido, com o apoio dos instrutores Péricles, Nero Bóia, Xixito, Leandro e Amerízio utilizam o Centro Cultural para dar aulas de capoeira, maculelê, samba de roda, puxada de rede e dança afro. Também promovem cursos de artesanato, gincanas, passeios e o resgate de danças antigas e manifestações culturais já quase esquecidas.
A Associação sobrevive dos eventos que realiza, da venda de camisetas e de doações que recebe de empresários da cidade e turistas que já visitaram e se encantaram por seu trabalho. Também contam com a ajuda de um grupo chamado “MADRINHAS DA TRIBO” (madrinhasdatribo@yahoo.com.br).
Associação Cultural Tribo do Porto
CNPJ: 05.533.895/0001-43
BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA 4105-X
CONTA CORRENTE Nº 7341-5
(73) 8849-2429
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